Ressucitou no terceiro dia
Este blógui não será mais atualizado, mas pelo menos mantém-se on line os textos.
Novas postagens em Conjunto com a Clarice no:
http://noisiscrevi.blogspot.com
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Site Novo
- Tchan tchan tchan....
- Tá chegando a hora...
- Só mais um poquinho...
- Uma surpresa inacreditável!
- Mas que coisa!
- Então, poe essa coisas em cima do sofá...
- Um ajuste final.
- Mais para direita, mais para direita!
- Tá quase pronto.
O Linguajar de Gilberto
Carta ao Jornal "O Estado de São Paulo"
Prezados,
Assinei o Estado ontem, e hoje já sou presenteado com uma ingrata surpresa, logo na página A2: o texto mal intencionado de Gilberto de Mello Kujawski. Que o Estado dê liberdade aos seus colaboradores para escreverem o que quiser, acho louvável; agora, que o Estado publique texto tão cheio de preconceitos e argumentos vagos sem pudor algum é realmente uma decepção.
Sem nenhuma base teórica acerca dos estudos recentes da língua portuguesa, muito menos de lingüística, o autor se perde em estereotipos, revelando um profundo preconceito social e lingüístico. Longe de defender o presidente Lula ou o seu partido, esse meu e-mail serve de protesto. Como o Estado permite que pessoa que pensa ser parte dos detentores do "bom falar da lúgua portugesa" possa expressar tanta bobagem em suas páginas?
Nos estudos mais recente de lingüística (Bagno, 2002), nem mesmo o conceito de erro gramatical existe. Não existe "falar errado", nem ninguém "maltrata a língua". Nenhuma criança com mais de cinco anos comete mais os tais erros gramaticais. A norma padrão, que o colunista afirma que Lula não segue, não segue nenhum dos falantes da língua portuguesa, nem ele próprio, aposto. Ao afirmar que Lula "fala errado", "arrasta consigo o pensamento banal e "comete erros gramaticais", logo depois comparando isso à fala do "povo", o colunista mostra como tem um preconceito social muito forte atrelado em seu discurso. Ao dizer isso, se retira do conjunto "povo", como se ele fosse de uma casta superior, como se ele tivesse o direito de julgar e perdoar quem "fala errado", como na frase "seria fácil absolvê-lo" do terceiro parágrafo.
Esse "simplismo das idéias", que o autor condena em Lula, é o que mais se lê nesse seu texto. Construções como "pau-de-arara emigrado", "fazer média com o povão" e a piada final - nada engraçada - de "menos (menas) inocência" mostram o profundo simplismo de admitir como verdade coisas tão "erradas" (na verdade mais, muito mais erradas) que a não adequação do discurso do governo às normas das gramáticas tradicionais.
Ainda cita, para tentar se redimir ou encher lingüiça, não sei, dois grandes autores, Manuel Bandeira e Euclides da Cunha. Pior ainda, não os compreende. Se Manuel Bandeira diz "Língua errada do povo", logo abaixo mostra o porque, que aquela é uma língua certa, como uma antítese da existência de uma "língua errada". Isso porque o poema foi escrito muito antes da lingüística chegar ao Brasil (gênio)! No texto de Euclides da Cunha, que não era sertanejo (apesar de saber sê-lo), temos um exemplo de texto com uma estética acima da média, como era comum nos textos desse autor. Exemplo sim de uma possível fala de sertanejo, mas nada a se comparar com o dia a dia do brasileiro de hoje, visto que são tantas as variações do português, ele é tão diferente em cada uma das regiões desse país, que citar assim Euclides continua parecendo um esbanjar de citações para provar sua mesquinhez de argumentação.
Não só nessa parte Gilberto "troca os pés pelas mãos". Em praticamente todos os parágrafos do texto ele cita argumentos "anti-acadêmicos", que em nada são baseados nos estudos moderno da língua portuguesa, mas sim na carga preconceituosa do autor. O último parágrafo condensa todo esse seu preconceito, onde Gilberto diz "O povo também estropia a língua, mas com inocência.". Isso mostra claramente a posição do autor como cidadão fora da casta "povo", como pessoa "esclarecida", que não tem a "inocência" de falar o "mau português" e se dá no direito, como eu já disse, de corrigir o doutrinar os demais.
Que o Sr. Gilberto acredite que o discurso de Lula é dotado de uma linguagem fora da norma padrão para assim se aproximar da maioria dos cidadãos e agredir as "instituições burguesas", tudo bem, é a opinião dele. Que ele se utilize dessa opinião para propagar uma forma de preconceito, ainda mais num Jornal tão prestigiado, isso sim é "mutilar o idioma pátrio", um retrocesso no avanço de uma educação de língua portuguesa melhor nesse país.
Em tempo: Me assusta imaginar que pessoa com tal direção de pensamentos e argumentação falha esteja preparando um livro com o título "A Identidade Nacional e outros Ensaios"...
Mudança
Este site, me breve, vai mudar de template, de endereço e, veja só, de nome! Que antes que o Jorge Ben me processe, eu precisava mudar. Além disso, na primeira vez que escolhi fazer isso, sete anos atrás, eu demorei trinta segundo escolhendo. Hoje, gastei todo o domingo. Mas promete.
Agradecimento
Agradeço ao sugestivo colega que procurou no Google pela oração "frases de amor pra bilhetinhos" e veio cair aqui, neste incauto blógui. É uma ótima idéia para os próximos lugares comuns. Muito melhor que "fotos de saites de sexo"...
Mais sobre as novas estatísticas deste, aqui.
Esboço
Outra de Carnaval
Já é Carnaval
Não me leve a mal
não vou voltar
De hoje até quarta-feira
minha bandeira
é gandaiar
Tem bloco, tem rua, tem salão
menina quase nua,
e a gente sai bamba até
É samba, pagode, axé
sacode, remexe e sua
no cordão
Mas se for me acompanhar
não pode desanimar
tem de ir até o fim
Não importa o tom
lança, bebida ou batom
ou a música ruim
Palavra, antes de tudo...
"Falar ou escrever é ativar sentidos e representações já sedimentados que sejam relevantes num determinado modelo de realidade e para um fim específico; é, antes de tudo, agir, atuar socialmente; é, nas mais diferentes oportunidades, realizar atos convencionalmente definidos, tipificados pelos grupos sociais, atos normalizados, estabilizados em gêneros, com feição própria e definida. É uma forma a mais de, tipicamente, externar intenções, de praticar ações, de intervir socialmente, de "fazer", afinal."
Lugares Comuns
Tevê II
"Você não pode perder"
Trios
TRA
BAL
HOS
...
LIV
ROS
,
TEX
TOS
,
PES
QUI
SAS
,
APR
ESE
NTA
ÇÃO
,
REL
ATÓ
RIO
,
SAC
OCH
EIO
!!!
Background
Meu fundo de tela é um desenho dele.
Previsões subordinadas adverbiais
Quase,
Quase que ele se aproxima dela.
Quase que diz um gracejo.
Ela quase ri.
Quase trocam telefones
Quase vão ao cinema.
Quase se beijam.
Quase transam no sofá.
Ela quase aceita o pedido de casamento.
Quase financiam a casa.
Quase que é um menino.
Quase que ele perde o emprego.
Quase que a menina nasce.
Quase que a vida deles melhora.
Quase que eles brigam feio.
Ela quase sai de casa.
Quase que eles voltam.
Quase que os filhos crescem.
Quase os filhos vão.
Quase são avós.
Quase ele vai ao médico.
Quase que ele se trata.
Quase que ele se cura.
Quase que ele morre.
Ela quase não fica feliz com a herança.
Quase, porque, na hora mesmo, ele não se aproximou,
Porque ele não tava tão afim
Porque ela nem era assim tão bonita
Porque estava chovendo
Porque ele hesitou e pensou em outra
Porque a grana tava curta
Porque ele acordou de mau humor
Porque ele morava longe
Porque não era tanta a certeza
Porque o caminho dele era outro
Porque ela estava acompanhada
Porque ele não tinha bebido
Porque ele não havia escovado os dentes
Porque ele estava inseguro
Porque o sinal fechou
Porque a rua era movimentada
Porque Deus não quis
Porque a vida tem dessas
Porque não
Porque o tempo passou
Sim, porque as vezes o tempo passa muitíssimo rápido, e a gente nem percebe.
Exercício em primeira pessoa
Bobinho
"Saímos do cinema e eu comento, Bobinho o filme, bons diálogos, mas não diz muito. Não diz muito?, ela retruca, É toda uma crítica aos relacionamentos de hoje em dia, a essa falsa auto-estima exacerbada que a sociedade de consumo nos impõe. É um filme que fala das mentiras, do egoísmo, da hipocrisia natural do ser humano. Eu paro por uns segundos e só consigo dizer, É, vendo por esse lado. A vida segue, e pronto, podemos andar seis meses na trama. Ela esta com dor de cabeça em casa, e eu insistindo em sair, comer alguma coisa, ver alguma peça. Aluga um filme qualquer, ela diz, e aproveita e passa na farmácia antes e compra um remédio que o meu acabou, e eu aceito por saber que é o único coelho capaz de sair do mato. Na videoteca, aquele filme acaba de ser lançamento, e do lado tem uma comédia que parece interessante. Eu pego a comédia e percebo uma mão delicada que quase esbarra na minha pra pegar o tal filme. Olho pra dona a mão, ela olha para o filme, lendo, e nesses dois segundos solta pra si, Parece bobinho. E arrisco, voltando o olhar para o meu filme, Não é tanto. No fundo é uma crítica aos relacionamentos de hoje em dia. Ela se interessa, e agora o olhar dela se dirige a mim primeiro que o meu a ela. Continuo, É um filme que fala sobre mentiras, egoísmo, traição, sabe? A angústia existencial e a hipocrisia natural do ser humano. Jogo a história da angustia sem nem saber ao certo se tem a ver. Me concentro em lembrar a história do filme, se é com algum ator famoso, mas ela ri e eu não sei mais nada. Arrisco mais uma pergunta, e outra seguindo essa até o ponto que ela é quem me passa a fazer perguntas. Vai assistir com o amor do lado? Não, sozinho mesmo, minto. Palavras, palavras e palavras, e a gente passa mais três quartos de hora tomando um café. Invento uma desculpa, pego o seu telefone e logo depois invento outra desculpa chegando em casa para justificar a demora. É que estava em falta o remédio. Mas é aspirina! Aspirina nuca acaba. Pra você ver como anda o levante da dor de cabeça contra nós, mortais, retruco. Ela ri, esquece e, mais de noite, assisto o filme sozinho, sem dar bola a ele, pensando nas palavras palavras palvras. Demoro dois dias, de propósito, e ligo para a mulher da locadora. Ela gostou que eu liguei, e agora a história pode passar mais três meses, que foi o máximo de tempo que eu consegui viver essa vida dúbia. A primeira pra quem contei foi minha amante, que eu não agüentava mais responder as juras de amor com monossílabos. Além do mais ela estava ficando grudenta, e não tê-la mais não era uma opção capaz de atrapalhar o meu dia a dia. Eu sou casado, eu disse, e ela ficou bem brava. Uma semana sem nos falarmos, mas depois ela tentou em vão fazer eu escolher. Disse-lhe que, por enquanto, não largava a minha esposa, e ela aceitou. A minha esposa mesmo só veio a descobrir nove meses mais tarde, e se a conta foi feita direita, um ano e meio depois de vermos o tal filme. Tivemos choro, mais até de minha parte que na dela. Com minha amante, eu tinha o domínio, com minha esposa era dominado. Fiquei quieto a maior parte do tempo, inerte aos gritos de Cachorro, Sem caráter e Filho da Puta. Ela já pensou em divórcio logo de cara, e eu em dizer, apenas contando com o tempo, que faz passar, Eu nunca vou esquecer isso, repetia enquanto tomava ações sem sentido como arrumar o pano de prato ou empurrar de um lado para o outro a cadeira. E pior que se ficássemos juntos, capaz ela jogar tudo na minha cara ao sinal da primeira briga. Ficamos sem nos ver por uma semana, e eu começo a escrever para ela diariamente. Não dá em muita coisa para o relacionamento, mas eu junto toda a história e faço disso um conto que publico com uma certa aceitação pela crítica. Passa mais um ano e estou com outra mulher, nem a antiga, nem a da locadora. Mais dois anos, e outra amante."
- Bobinho esse texto. Não diz muito.
- Não diz muito? É toda uma crítica aos relacionamentos de hoje em dia, a essa falsa auto-estima exacerbada que a sociedade de consumo nos impõe. É um texto que fala das mentiras, do egoísmo, da hipocrisia natural do ser humano.
- É, vendo por esse lado...
E recomeça.
Lugares Comuns
Tevê I
"Uma emocionante aventura"
Quando chegou a hora, chegou a hora
(que o mercado não perdoa: compre na baixa, venda na alta)
A mulher que eu tinha era muita coisa. Muita mesmo, tanto assim que não se classificaria com itens para uma licitação pública, nem se escrevermos uma por uma, qualidade abaixo de qualidade, rol de adjetivos e manchinhas e pintinhas e trejeitos e sorrisos e esboços, pois outra igual não havia. Existia a que existia, e eu a possuía.
Essa minha mulher estava onde estava de estar. Acordava ao meu lado, me sorria, me beijava, me caçoava, preparava eu o café dela, trabalhava eu por tudo dela. Minha, como a casa que se paga a hipoteca mês a mês, o carro que se mantém com gasolina, manutenção e carinho. Até a assinatura do jornal, pra informação, descontração, internet e bate papo. Meu e tudo meu.
Tem até o orgulho, sabe? Não por desfilar e mostra, mas no olhar. Ela mexia a cabeça, abria de leve a boca e eu pensava, soberbo, "Isso tudo me pertence". Até o jeito de passar condicionador duas vezes depois do xampu, o ficar nas pontas do pés pra pedir informação ao balcão muito alto, o gritinho de ver a saia nova, o novo filme, tudo me dava um orgulho danado.
Fora a competência, a produção. Tem fazendeiro que diz com a boca cheia "Na minha terra, dá-se noventa sacas de soja por hectare", quando todo mundo sabe que a média é cinqüenta. Minha mulher é esse tipo de fazenda; escreve, trabalha, lava, passa, cuida, prepara, assina e é tudo coisa de minha propriedade, com muito mais de noventa sacas de produtividade.
Daí tem gente que me faz pensar, insistindo em dizer que "Não se vive pra trabalhar, mas se trabalha pra viver" e eu nem por essas. Afinal, ela é mais que minha, e como assim alguém vir dizer que eu não vivo por ela? Contas, a responsabilidade, meu nome na praça, como é que fica? Vivo pra trabalhar, das 8:00 às 17:00 com uma hora pro almoço, 13º no fim do ano e vale refeição, que eu nem uso, assim ela prepara o meu do meio dia e eu vivo mais um tanto pra trabalhar.
Mas tem a praga toda da lei, esses advogados que não sei da onde surgem, como eles fazem isso? Volto do serviço e não é mais a minha casa. A minha mulher não está mais lá, é outra. Ameaço chamar a polícia, mas ela me mostra o papel, contrato registrado, três vias, dizendo "É venda, viu? Não é aluguel não" enquanto se dirige pra cozinha. Reclamo, acuso, mas ela me faz sentar à mesa e traz o jantar. Outro copo, outro prato, o talher nem tem cabo de madeira. Não é mesma coisa, cadê a minha mulher?
Uma semana nesse ritmo, sigo o endereço, releio o nome da rua, tento, repito e confirmo, mas a minha casa não é a minha casa, meu lençol, as coisas todas do armário, cadê então a minha mulher? Essa outra, não sei não, manchinhas e pintinhas e trejeitos e sorrisos e esboços, tudo diferente. De noite, outro gosto, outro jeito. Demora uma semana. Uma semana e eu entendo tudo.
Da minha mulher, eu que era dela, ela é quem me tinha e mantinha. E na sintonia do mercado, me vendeu semana passada, assim, zero mais dez.
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Texto homenagem ao belissímo da Ro.
Guiomar,
Não vem dar uma de vencedora não, que quem não escreveu primeiro você, no dia em que viajou paraparaty. Você pode estar sendo mais freqüente, mas também foi a 1ª a quebrar a corrente. Só não joguei na cara antes por amizade, mas como você o faz, não posso deixar de revelar a verdade.
Beijos saudosos.
Só para lembrar
- Texto homenageando o Paulo Mendes Campos, com a transposição do atropelamento de Rio Claro à algo parecido na Av. Faria Lima... Os leads das revistas serão Caras, Nova, Veja, Superinteressante, Contigo, Amiga TV tudo e outros de momento.
- Texto com lugares comuns da TV.
- Organização dos lugares comuns já feitos.
- História do batepapo, sala de sexo e o Valter atendendo o telefone ? encontrar um final que encaixe e pareça interessante.
- Contabilidade de Xampus, para encher o saco do CK.
O que fazer próximo ano
- Um romance de 365 páginas, uma por dia.
(um livro por ano)
Está grudado aqui na sala, no trabalho:
Qual é o próximo número da sequência?
1
11
21
1211
111221
_________
Dica: leia número após número em voz alta que fica fácil.
Abaicho, o que gente tivermos que fazermos hoje, em comemoração ao Natau. Tem 1,2 MB. So abram se não tiverem nada pra fazerem.
Aqüi.
Guiomar,
Tá venfo a palavra PIU, a última que o Fernando pôs? NÃO EXISTE! É PIO, com O. Ele se aproveitou do nosso sono, das regras póstumas e a gente DEIXOU ele ganhar! Se eu tivesse trucado, ele tinha perdido, e de mais de 50 pontos de vantagem. Daí eu teria ganhado, e não ficaria com todo esse ódio no coraçãozinho.
Como é mesmo?
Tente adivinhar
Ver pães é agradecer o seo Anísio.
Como é mesmo?
Farinha vai com as ostras
Marinha cai com toscas
Faria sai com as moscas
Paria e com as bocas
Varinha vai com Lucas
Laurinha sai com roupas
Salsinha vai com frutas
Faria e com as toucas
Jazia mas com loucas
Bahia cai em poucas
.
.
.
Maria vai com as outras!
Eu a Clá
Clá,
. Só para avisar que não vale colocar vários postis num só dia e ficar esse tanto de dias sem postar. Nem que seja um, é diário.
. Sim, repito que você está abusando dos parênteses. Mas você pode.
. Quanto ao ?Europa?... será que é o mesmo que eu vi, ou não chegou aqui (sua ?stiff upper lip?!)
. Piazzolla é muito bom. Tia Vera já sabe fazer cópias?
. Eu nem perdi tempo aí com o ?The Economist?, li uma só vez o FT. Bom mesmo é ?The Guardian?, edição de domingo, que vem o ?Review? e também uma revista que eu esqueci agora o título, mas é uma delícia de se ler. De vez enquanto 20p e um ?The Sun? valem a pena, afinal ?Things that YOU know ?cause YOU are reading The Sun and I don?t?.
. Não me comovo muito com o espanhol ao natural. Não estudei, não namorei, não me toca tanto. Aqui, meu Borges é traduzido. E, como se diz, talvez nem tenha mais a poesia.
. Meu corretor ortográfico, toda vez que escrevo Clá, ele corrige para Clã. Tenho que ficar nos control-z da vida para arrumar isso. Olha só o trabalho que você me dá.
. Quando você chegar, logo depois de conversar com o Vanderlei, conversarás com o Tomás Gonçalves. Isso é uma ordem.
. Clã, um beijo.
Três discussões-exemplos sobre "Modelo"
(C&R - exercício 12)
Discussão-exemplo 1
Ela queria ser modelo e atriz. Apresentar um programa na tevê também não era oportunidade de se jogar fora. Um dia conheceu um homem que prometera tudo isso e mais um pouco. Ela fez tudo que ele lhe pedira, e ele nem pra ligar no dia seguinte. Ela continuou sua busca, porém, quando um segundo homem passou-lhe a mesma conversa, ela cobrou a promessa adiantada. Não lhe chegou às mãos um contrato numa agência, mas uma nota de 100 dólares. Ela não só aceitou, como além de fazer o que o homem lhe pediu, fez isso mais vezes. Colocou anúncio no jornal, aumentou a clientela e continua sonhando em ser modelo. É que, dizem as más línguas, ela está no caminho certo.
Discussão-exemplo 2
- Seu filho é um modelo de aluno, pois saiba.
E não parecia diferente. Só notas boas, não fumava, não bebia - nem metia, caçoa vez ou outra os colegas, mas isso a mãe não ouvia. Poderia se dizer que isso o transformou num avesso a iniciativa própria, ou um convencido, quem sabe até um louco psicopata mimado pela mãe, a la Hitchcock. Mas nada. Continuou assim pela faculdade, um exemplo a ser seguido. No trabalho, ninguém melhor que ele para fazer as tarefas, e o chefe mais de uma vez dissera "Mire-se no exemplo dele". Não recebia multas, não pagava as contas atrasado, não jogava papel no chão. Um modelo de cidadão. Marido exemplar, pai idem. Agora, já na meia idade, sonha com a aposentadoria e a casa na praia.
Discussão-exemplo 3
Ele sai do trabalho tarde da noite, e antes de entrar no seu carro um homem lhe surpreende com uma arma, e calmamente lhe diz:
- Isso é um assalto. Mas fique calmo que, no fim das contas, eu sou o menos hipócrita. É que eu já tive emprego, carro, família, que nem você, sabe? Daí veio o plano cruzado. Não perdi tudo. Tudo eu perdi com a junção de planos cruzado II, Bresser, e Collor despencando na minha cabeça. Quando minha mulher me largou, na época do Itamar, eu ainda achei que tinha chances, e apostei tudo no dólar. Veio o FHC, perdi tudo e mais um pouco. Votei no Lula, não no Palloci. O Meireles aumentou os juros e decidiram despedir lá na empresa. Fui eu. Não tive outra chance. Vou tirar o seu dinheiro, mas pelo menos estou avisando o como e por quê.
- Tudo isso é culpa dos modelos econômicos então?
- Os pobres dos modelos não têm culpa alguma. Podemos culpar a cinemática se uma bala atinge o corpo de alguém? Culpa tem quem os criou, quem executa.
- Olhe, podemos conversar, eu tenho um amigo que...
- Quieto, que de ouvir promessas e soluções eu já ouvi muito. Dá cá a carteira, com os cartões e a senha. Dá também as chaves desse seu carro. Bonito, por sinal, é o último modelo?
Eu e a Clá
Clá,
Eu já li seus textinhos e adorei todos (adorei até as coisas entre parentêses muimente utilizadas, isso por quÊ eu num gosto muito dessas coisas em parentêses).
Eu não vou por o linque ainda aqui por quê não sei se pode. Também não sei até quando vai durar isso, até quando vai durar os 9 entre 10 serem seus.
Eu vou viajar mesmo no ano novo, mas não com vocês. Dois (três) ali te paparicando é ciúmes demais conjurados para uma garota tão mignon quanto você.
Eu estou lendo o Pedro Nava e acho que você vai gostar. Me deixa dar um livro dele pra você de natal, um que eu não tenha, pra gente poder trocar. Acho que você vai gostar.
Eu pouco parei para pensar os passeios de fim de ano. Sem Museu Judaico, sem Renato Janine na Livraria Cultura. Temos de ver o que São Paulo nos prepara.
Eu tenho pensado seriamente num doutorado sanduíche na Inglaterra. Se Southampton não vir, você bem que podia ajeitar uns QI's aí em Oxford. Temos um ano ainda par isso, não me desanime.
Eu estou com uma puta saudades tuas. Um beijo pra ti Clá.
Aqui por perto
(a um braço de distância da mesa do PC)
"Uma razão pela qual Einstein teve pouco apoio na sua busca da teoria de um campo unificado foi por que o embate entre a relatividade geral e mecânica quântica só aparece quando consideramos regiões do espaço tão pequenas que, mesmo hoje, não temos esperanças de observar diretamente."
in A janela de Euclides, L. Mlodinow
"A depressão apresenta-se como fator de risco para o agravamento das dificuldades experimentadas pelos pacientes portadores de TDAH. Ela é encontrada em freqüente co-morbidade com o TDAH"
in Princípios e Práticas em TDAH, P. Mattos & L. A Rohde
"That was sad too.
'And your baby.'
'My baby?'
'The baby that died'
'Oh. That baby"
in How to be good, N. Hornby
"Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza"
in Fala, Amendoeira, C. D. de Andradre
"Escutar alguém que lê em voz alta não é a mesma coisa que ler me silêncio. Quando lês, podes te deter ou sobrevoar frases: tu decides o ritmo. Quando é outro quem lê, é dificil de fazer conincidir com a tua atenção com o tempo de sua leitura: sua voz segue demasiado depressa ou demasiado lento."
in Se um viajante numa noite de inverno, I. Calvino
"Os jornalistas do tipo defensores seguem a tradição dos "denunciantes da corrupção", entre os quais os mais conhecidos são provavelmente Joseph Pulitzer, Lincoln Steffens, Ida Tarbell e Ray Stannard Baker"
in Conceitos de Jornalismo, M. Kunczik.
Encontros
O de costas sou eu, o rosto é do Verissímo, o cabelo branco a direita é do Ziraldo, o livro é "Orgias".
Depois de FLUFLY,
Do Bennet